É que quando chega ao fim e a gente chora e lamenta e o peito aperta, a gente, na verdade, faz isso por todas as outras vezes que também não deram certo. A decepção é cumulativa.
Meu intuito.
"Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso
(E, sem dúvida, sobretudo o verso)
É o que pode lançar mundos no mundo." Caetano Veloso
segunda-feira, 24 de março de 2014
domingo, 1 de setembro de 2013
É desconcertante rever o grande amor.
Juraram amor eterno. Faziam-se parte um do outro todos os santos dias, por anos.
Fingiram que não se viram. Coisa estranha essa de serem dois estranhos agora.
Fingiram que não se viram. Coisa estranha essa de serem dois estranhos agora.
quarta-feira, 26 de junho de 2013
Escolheria não lembrar
E se pudéssemos escolher lembrar ou não das coisas? Seria tão melhor apagar da memória sua risada, sua voz e seu cheiro.
Feliz daquele que não recorre ao passado, não se prende a recordações.
O tempo jamais volta, meu caro.
Célia Aguiar
Feliz daquele que não recorre ao passado, não se prende a recordações.
O tempo jamais volta, meu caro.
Célia Aguiar
segunda-feira, 11 de março de 2013
Quem disse?
Eu estava em
ponto morto, em banho maria, à toa na vida vendo a banda passar, já tinha me
despedido da dor.
E quem foi
que disse que eu queria suspirar novamente? E quem foi que disse que você
poderia ocupar meu pensamento diariamente? Que hora mais inapropriada para
aparecer!
“... e porque existe essa coisa
dentro da gente, muito grande e muito consciente, mas que a gente não controla,
que nunca esquece a delícia que é começar. Então eu projetei nele todos os meus
novos começos: ele era um cara descobrindo um monte de coisas que eu achava que
já sabia e que me lembrava outras que eu já tinha esquecido. Eu me via nele, eu
via ele em mim. O nome disso é identificação. Porque na verdade a gente quer
preencher nossos vazios não com o que nos falta ou completa por ser diferente,
mas com o que é confortavelmente familiar”
Se eu
pudesse prever, não teria deixado você me conduzir naquele samba meio samba-rock,
onde você é tão melhor do que eu. Eu fiquei em desvantagem, desprotegida com os
meus passos incertos e deixei você me levar. Dançar foi meu delito.
Se eu
pudesse prever, não teria te contado por onde andaria, não teria saído na
calçada da Roosvelt, você então passaria reto, não haveria surpresa, nem samba.
Não haveria beijo.
“... se eu te encontrasse
completamente por acaso hoje, onde seria?”
E não
haveria, dias depois, risadas e olhares. Está aí, definitivamente, meu ponto
fraco: as risadas e os olhares.
E agora
estou aqui, com o coração apertado e essa angústia. Chamo de angústia por não
saber do que chamar essa coisa que ora me tira um sorriso bobo, ora me esmaga o
estômago.
Nossas
bagagens de vida, isso de não mais se surpreender tanto, nem de chorar tanto,
nem de sonhar tanto, nem de planejar tanto, nem de sofrer tanto, depois de
tantos acontecimentos anteriores. É a dor e a delícia da maturidade, das coisas
tão parecidas já vividas, já vistas, já sentidas. A verdade é que a gente
caleja para as coisas ruins e para as boas também.
“... hoje eu me pergunto qual o prazo
de validade das lembranças. Em que momento elas deixam de ser palpáveis, boas,
verdadeiras?”
Eu sei, tão
pouco tempo pra eu já estar aqui, com os meus devaneios, colocando um pouco
dessa tão curta história no papel que chega a parecer clichê.
“...
e quando tudo isso que a gente vê sobre a paixão nos filmes é
simplesmente...verdade?
Só
os clichês são verdade, no final das contas.”
Quantas
vezes eu te escrevi , confessando, “saudade”? Quantas vezes você retribuiu?
“... eu ouço tanta música e penso se
você ouve música e se é no computador ou no rádio ou em CDs, quais são eles, se
você canta junto, se estaríamos escutando os mesmos cantores no mesmo momento
porque o nome disso é “sincronicidade”, se as músicas traduzem seus sentimentos
tanto quanto os meus, quais, então, te explicariam a mim, o que eu preciso
ouvir, o que eu preciso saber, o que você esconde e o que tem medo de
revelar...”
Talvez você
não tenha nada para revelar, você me parece não esconder nada. Talvez seja essa
a causa da angústia, você não ter sentimento algum para esconder de mim.
Você me faz
bem. Você me faz rir. Você me fez retomar a espiritualidade, a leveza e a
leitura.
Só que agora
está começando a me assustar (olha eu aqui me abrindo de novo, depois das
chuvas que apanhei, peguei agora essa mania de transparência, até
demais...perdi a mão).
E quem foi
que disse que eu queria suspirar novamente? E quem foi que disse que você
poderia ocupar meu pensamento diariamente? Que hora mais inapropriada para aparecer!
Sabe aquela
história de deixar de rir por medo de chorar? Estou pensando, seriamente, em
seguir essa linha...
“é uma escolha, percebe? No final das
contas, metade dos encontros que você faz é regida pelo acaso, mas metade é
obra do seu próprio esforço e vontade. E como 50% de chance não são nem uma
coisa nem outra, a verdade é que a gente sempre sabe. E sempre controla. Mas
sempre sofre como se não soubesse. Porque, na hora de sofrer, a gente esquece
tudo mesmo.”
Célia Aguiar
(Trechos extraídos do texto da peça “Música para
cortar os pulsos”)
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Minha tristeza se torna um alegre cantar
Eu posso te
contar das chuvas que apanhei, das noites que varei no escuro sem nem saber o
que buscar. Não lutei contra o rei, mas tive minhas discussões com Deus,
afinal, se foi pra desfazer por que é que fez?
Eu posso te
contar das pedras do caminho, eu conheço os passos dessa estrada e sei que não
vai dar em nada, serão novos dias tristes, noites claras, versos, cartas e alguns
sonetos para colecionar.
Posso aqui
enumerar as dores e as delícias de ser o que sou, mas ninguém escapa ao peso de
viver assim, ser assim. O seu coração, assim como o meu, não se cansa de ter
esperança de um dia ser tudo o que quer.
E um dia, com
raiva, para os céus os braços você vai levantar, blasfemar, achando que todos são contra você. Você que errou pela vez primeira! Mas ser ré
primária não te livrará de passar pelos dissabores.
Eu não direi
que é tarde demais que é tão diferente assim, apenas saiba que se amanhã não
for nada disso, caberá só a você esquecer.
Não direi
também que você está louco, é só um jeito de corpo, não precisa ninguém te
acompanhar. De perto, ninguém é normal mesmo.
Apenas ouça
este bom conselho que lhe dou de graça, será inútil dormir, a dor não passa.
Você pode agir duas vezes antes de pensar se quiser, mas esteja preparada para
quando a chuva passar por aí, pois será você mesma quem cuidará de secar e não
será tarefa fácil, ao menos não foi para mim.
Durante
algum tempo realmente acreditei que se não tivesse o amor, se não tivesse essa
dor e se não tivesse o sofrer e se não tivesse o chorar, melhor era tudo se
acabar. Mas hoje, depois de ir contra a
corrente até não poder resistir, sigo o
velho marinheiro que durante o nevoeiro leva o barco devagar, afinal é na volta
do barco que se sente o quanto deixou de cumprir.
Não me leve
a mal, mas me leve a sério, acredite: passou este verão, outros passarão. E se
te falo tudo isso agora é para que você ouça todas estas canções, que apesar de
não ter feito nenhuma delas, juntei pra dizer que eu te adoro cada vez mais e
que eu te quero sempre em paz.
Célia Aguiar
domingo, 29 de julho de 2012
Perdão
Sei que andei errada.
Sei que plantei sofrimento. Sofrimento para nós dois! Não medi consequências.
Mas sei também que sou humana, que tenho minhas aflições, que tenho minha bagagem e minhas cicatrizes.
Minha própria cabeça me trai.
O mundo que eu invento para mim me inebria.
Tenho uma mania que, no começo, eu chamava de romantismo. Hoje eu vejo que é vício, que é loucura.
Hoje percebo que nada tem a ver com ser sonhadora, tem a ver com não saber viver nada por completo.
Essa mania de achar que a grama do passado (ou do desconhecido) é mais verde.
É óbvio que nas histórias que passam pela minha cabeça as chances de eu ser mais feliz são enormes. Sou eu a autora e a protagonista!
O "suposto", o "e se": prato cheio para uma mente propícia à fantasia.
No entanto, as pessoas são reais e sentem dor.
O que eu carrego no peito agora é a consequência e hoje sim posso medi-la.
Ela é dolorosa. O crime não compensou.
A culpa está me torturando.
Só peço a Deus sabedoria para passar por isso...
A lição está sendo tomada.
Célia Aguiar
Sei que plantei sofrimento. Sofrimento para nós dois! Não medi consequências.
Mas sei também que sou humana, que tenho minhas aflições, que tenho minha bagagem e minhas cicatrizes.
Minha própria cabeça me trai.
O mundo que eu invento para mim me inebria.
Tenho uma mania que, no começo, eu chamava de romantismo. Hoje eu vejo que é vício, que é loucura.
Hoje percebo que nada tem a ver com ser sonhadora, tem a ver com não saber viver nada por completo.
Essa mania de achar que a grama do passado (ou do desconhecido) é mais verde.
É óbvio que nas histórias que passam pela minha cabeça as chances de eu ser mais feliz são enormes. Sou eu a autora e a protagonista!
O "suposto", o "e se": prato cheio para uma mente propícia à fantasia.
No entanto, as pessoas são reais e sentem dor.
O que eu carrego no peito agora é a consequência e hoje sim posso medi-la.
Ela é dolorosa. O crime não compensou.
A culpa está me torturando.
Só peço a Deus sabedoria para passar por isso...
A lição está sendo tomada.
Célia Aguiar
A vida está passando e você não está comigo, eu afastei você de mim, agora é tarde.
Gostaria muito de acreditar que um dia minha vida vai encontrar com a sua mais uma vez e para sempre...
Mas as coisas não são tão simples assim.
Outras pessoas estão começando a fazer parte da minha história. Eu fecho os olhos e o cheiro que eu sinto não é, necessariamente, o seu.
É estranho, mas a gente está se separando. De verdade.
Célia Aguiar
Uma vez ouvi uma música "seu coração é livre, tanto que prende o meu".
A minha vontade de falar, de ligar, a vontade de te ver é, na verdade, a vontade de te esquecer, os Hermanos estão certos.
Eu nem sei se é direito, mas é que você me parece tão longe, queria você mais perto, dentro de mim.
Quando eu digo "não volta, pra sempre!", eu digo "fica, que eu quero você ao meu lado".
Não faz disso essa tortura, não precisamos disso, as coisas poderiam ser mais fáceis...
Eu não quero pensar o que será amanhã, mas seu eu não souber o que é hoje, as coisas não fazem muito sentido.
Alguém que complete, alguém que traga paz, alguém que tire esse aperto do peito, essa ansiedade por coisas que eu nem sei quais são!
Pra mim não importa nomear. O que eu sou sua? Não sei. Sou sua e só.
Não quero chamar de alguma coisa, quero sentir. Sentir seu cheiro, seu corpo, sentir você.
Você nunca me olha nos olhos. Quando eu digo que é bom estar com você, você fica quieto. É o seu jeito, eu sei...mas é difícil para mim.
Quando a luz apaga somos perfeitos, mas às vezes eu quero você de luz acesa também...
Célia Aguiar
A minha vontade de falar, de ligar, a vontade de te ver é, na verdade, a vontade de te esquecer, os Hermanos estão certos.
Eu nem sei se é direito, mas é que você me parece tão longe, queria você mais perto, dentro de mim.
Quando eu digo "não volta, pra sempre!", eu digo "fica, que eu quero você ao meu lado".
Não faz disso essa tortura, não precisamos disso, as coisas poderiam ser mais fáceis...
Eu não quero pensar o que será amanhã, mas seu eu não souber o que é hoje, as coisas não fazem muito sentido.
Alguém que complete, alguém que traga paz, alguém que tire esse aperto do peito, essa ansiedade por coisas que eu nem sei quais são!
Pra mim não importa nomear. O que eu sou sua? Não sei. Sou sua e só.
Não quero chamar de alguma coisa, quero sentir. Sentir seu cheiro, seu corpo, sentir você.
Você nunca me olha nos olhos. Quando eu digo que é bom estar com você, você fica quieto. É o seu jeito, eu sei...mas é difícil para mim.
Quando a luz apaga somos perfeitos, mas às vezes eu quero você de luz acesa também...
Célia Aguiar
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